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segunda-feira, 2 de junho de 2008

fabula

Essa é um pequena e bela fabula para as crianças e apaixonados de plantão.

Essa é a historia de Flora, uma linda princesa de cabelos negros como a noite e lábios carnudos doces como morangos silvestres. Sozinha, vegetava pacientemente em sua torre fortificada. Ninguém entra, ninguém sai. Ninguém se move, ninguém sai ferido. Não perturbe. Ela nunca havia se apaixonado. Não de verdade. Ate o dia, que de maneira quase mágica o Conde Gatuno chegou em sua vida. Com seus olhos azuis como o grande oceano, ele conquistou a bela Flora. Nos braços do amor ela se jogou. Fora de sua fortificação ela saiu. A bela princesa agora amava.
Nesse mesmo instante a Guerreira Zelda, que tinha uma amizade com a princesa Flora, conheceu um jovem. Ele disse que era apenas um peregrino. A Guerreira não precisava de ninguém, vivia sua vida sozinha, lutava todas suas próprias batalhas sem ajuda dos fétidos e traiçoeiros homens. Ela era auto-suficiente. Mas um homem havia roubado o seu coração. Zelda tentou conquistá-lo, chegou ate mesmo a roubar suas coisas só para chamar a sua atenção. Tudo em vão. Zelda não existia para esse homem. Zelda ficou desnorteada. O peregrino nunca teve ninguém. Sozinho ele era, e sozinho sempre seria. Mas ele gostava de Zelda. Ela lhe fazia bem. Assim os dois se juntaram.
O vento silenciosamente soprava. Soprava suave e levemente. Os tempos mudavam. La vinha a tempestade.
Por um tempo foram felizes desse jeito.
Flora com seu Gatuno imaginando cenas futuras para sua historia de amor.
Zelda tinha alguém para dar colo depois de um dia de batalhas.
O peregrino tinha aonde depositar suas parcas esperanças.
Então um dia a tempestade veio... e consigo levou as esperanças...
A Guerreira Zelda se sentia segura nos braços do Peregrino. Não o amava, mas era reconfortante. O peregrino começou a gostar muito da guerreira Zelda. A cada dia mais. Então ele lhe deu um presente. Seu coração. Porem Zelda não quis. Ela não era escrava de ninguém. E não queria o coração de peregrino. Alem do mais o homem que não a quis ainda estava em sua cabeça. O peregrino voltou a se amargurar...
O conde foi embora. Desapareceu. Deixou apenas um bilhete a jovem e bela Flora.
“Estou voltando para minha vida antiga. Foi bom enquanto durou. Agora de volta a realidade”
O coração de flora fora despedaçado como uma flor. Murchou. Desabou em joelhos e rastejando voltou para sua torre. A torre era agora negra. Sem entender o que aconteceu, ela chorou. E chorou...
A Guerreira ainda vive sua guerra particular sozinha, um dia de cada vez. Sozinha ela esta bem... Mas são nas noites que tudo fica pior. Nas noites ela nota o espaço vazio ao lado de sua cama que nunca será preenchido.
O Peregrino se foi... Pra onde quem sabe... Talvez tenha ido procurar algum lugar para depositar seu desgastado coração.
Essa e a dança auto destrutiva dos amores, a terra onde vegetam aqueles que amam... Quem disse que toda fabula tem que ter um final feliz.

apagar

Preciso de você
Desejo você
Sonho com você
Quero você
Amo você
Mas do que isso vale?
Isso vale alguma coisa
Pra você
Acho que não
Te encontro
Te provo
Te fodo
Te uso
Te marco
Te quebro
Jogo fora
Descarto
Lixo usado
Nada mais
E isso que você queria
Ser usada
Como você sempre é
Doce dor do amor
Isso é amar?
Você consegue amar?
Nos amamos de jeitos distintos
Mas o que é amar mesmo?
Me esqueça
esqueço
Me odeie
Odeio
Me machuque
Machuco
Me deteste
Detesto
Me apague
Apago
Me mate
mato

a espera de...

Segunda feira de manha. O Domingo é apenas uma lembrança distante e turvada para você. Como o tempo passa rápido quando a gente se diverte, não é mesmo? Relatividade. O tempo é relativo. Einestein. Cabeça nas nuvens, mãos no bolso do casaco surrado, enquanto espera o trem do metro. Você foi se arrastando para a estação. Esta podre de ontem à noite. Ficou horas bebendo com os amigos da faculdade. Ainda sentia aquele gosto amargo de cerveja passada. O estomago não esta cem porcento. A cabeça doía levemente.
No jornal de hoje, havia noticias sobre a morte de varias pessoas num acidente de ônibus em algum lugar do interior. Também havia fotos de uma jovem com biquíni minúsculo dizendo que havia tido um caso com um jogador de futebol. A tal modelo e atriz estava promocionando o seu novo livro e filme pornô. Você gostaria de tirar férias daquilo tudo. Da cidade a cada dia mais louca. Desses jornais vagabundos onde só havia desgraças, noticias supérfluas sobre celebridades e pornografia leve. Estava cansado de tudo. Às vezes acha que sua vida havia se tornando um grande nada sem graça. Cotidiano puro. Nada demais. Como gostaria de pedir pra outra pessoa mesmo que por alguns segundos, mesmo que por uma hora, ou quem sabe se ela fosse bem gentil, por um dia inteirinho, a vida dela. Só um pouquinho. Só pediria isso. Se tivesse dinheiro acha ate mesmo que pagaria um bom preço pela vida de alguém. Apenas desse jeito achava que as coisas seriam um pouco melhor.
O trem chegou. As pessoas se amontoaram na frente das portas dos vagões. Se apertando, se espremendo. As pessoas queriam chegar na hora, se importavam com isso, horários e deveres. Não sabia bem o porque, mas não se sentia na obrigação de correr ou chegar na hora. Na verdade, espera ansiosamente o dia em que fosse mandado embora. Despedido. Você com certeza não reclamaria, nem nada. Apenas sairia da redação com a com um tremendo sorriso no rosto e sairia sem se despedir de ninguém. Ate mais otários. Voltaria para casa.
Antes que as portas fechassem, entrou no vagão. Não havia lugares para se sentar, teve que ficar em pé. Normalmente já ficaria em pé. Hoje sentia vontade de ler. Havia comprado um pocket com alguns poemas de Ferlinghetti. Pensou num trecho que sabia de cabeça.
Estou à espera / do sentir algum prenúncio / da imortalidade / relembrando minha infância e estou à espera / que voltem as manhãs de esperança / que voltem os campos verdes da juventude.
Mas não tinha como ler o livro em pé. Pensava em estradas poeirentas e no ar batendo com força no rosto em quanto andava num carrão sem capota pelas estradas sem destino algum. Isso seria bom. As pessoas se apertam no vagão. Tossem. Falam alto. Escutam musica nos fones. A garota a sua frente, loira, magra, roupa de ginástica, os caras não param de olhar para bunda dela, escuta alguma musica eletrônica, uma batida constante e barulhenta.
Você chega a cogitar a possibilidade de por os fones também, quem sabe assim a viagem seria mais rápida, mas prefere que a cidade seja a sua musica. O olhar das pessoas, tosses, os peidos e arrotos secretos. Os espirros. O caminhar. A abertura da porta. As pessoas se espremendo para sair e para entrar. O fechar das portas. Mais tosses. Cochichos. Olhares. Mais gente com fones escutando musicas distintas. O bater de pernas e dedos incomodados. O tempo que passa. Atrasados. Nervosismo. Tensão. O sono das pessoas que ainda não passou direito. A falação. Mais tosses. O bater continuo da perna. A musica constante de uma cidade que não para. De pessoas que vem e vão. Que caminham, pegam ônibus e metro, trabalham, param para almoçar todos os dias, voltam aos trabalhos, saem e voltam para o ponto de ônibus ou para estação de metro, mais uma maratona para voltar para casa. E esperam ate dormirem e assim tudo de novo no dia seguinte.
Faltam dez minutos para as oito e meia. Está um pouco atrasado. Mas chegou no lugar. Ao sair com uma multidão de apressados pelas portas do vagão, Felipe sabe que esta a espera de algo... Mesmo não sabendo muito o porque seja isso que ele tanto procura.

seja...

Seja forte
Mandaram
Seja bom
Diziam
Seja corajoso
Falaram
Seja educado
Resmungaram
Seja um homem
Obrigaram
Da minha boca só sai
Sim mãe
Sim pai
Às vezes os adultos não sabem de nada

O despertar de um novo dia... ou talvez não

bem... essa foi a minha primeira noite como blogueiro e bem, não notei nada de diferente. Sabe achei que iria acontecer alguma coisa, uma mudança literal no decorrer da minha vida, um momento de insight, talvez a visão promissora do meu destino, mas que nada. Dormi mal como sempre, sofro de insonia desde pequeno, so dormia sendo porque meus pais me obrigavam. E ainda solitario. Ja faz um bom tempo que aquele espaço na cama me assombra diariamente. Que droga, talvez nada realmente mude.